terça-feira, 12 de março de 2013

Presidente Oculto: Uma Simples Proposta para Melhorar o Serviço de Atendimento aos Clientes – SAC´s


Por Artur Reis

Nesse mundo moderno, cada vez mais tudo está passando de real para virtual, de analógico para digital. Ninguém mais consegue viver sem o “WWW”.

Se você precisa retirar dinheiro da sua conta, nem tente ir a uma agência bancária real, pois as filas irão lhe deixar preso por horas. Pagar contas então, nem se fala. Ainda bem que existe o caixa eletrônico. Mas, mesmo assim você precisa de sorte. Tem que rezar para que a fila seja curta. Passando por isso, tem que orar para que os caixas eletrônicos estejam funcionando. E pedir a Deus para que eles tenham dinheiro. E se isso tudo não bastar, tem que cruzar os dedos para que a “maquininha” reconheça o seu cartão. Isso tudo para não dizer que ainda tem que ter o maior cuidado para seu cartão não ser clonado. Haja ajuda divina!

Mas, quando se trata de recorrer, por exemplo, ao atendimento telefônico de uma empresa de TV por assinatura é preciso ter paciência de Jó. Primeiro você liga para o bendito número. Se conseguir ligar de primeira você é privilegiado. Mas antes de chegar ao menu de opções é necessário digitar o seu número telefônico com prefixo e esperar vários minutos, sendo obrigado a receber dezenas de informações inúteis que você não pediu. Finalmente ao iniciar o menu de opções, parece que a sua opção é sempre a última. E ao entrar na nova árvore de opções, parece que tudo começa novamente. Ouve-se as mesmas informações inúteis. Pedem para confirmar novamente se o atendimento é para o número que você já havia informado. Em seguida dão novas informações inúteis ou conselhos para você desligar todos os aparelhos, reiniciá-los novamente. E mesmo você já tendo feito tudo isso, às vezes cai na tentação de fazer novamente e é obrigado a fazer a mesma ligação mais uma vez. Haja paciência!
Se a gente prestar um pouco de atenção é possível perceber que a prioridade do serviço de atendimento ao cliente na maioria das empresas é vender. Por isso você é direcionado automaticamente para mensagens e opções de menu que lhe levam a adquirir um novo serviço ou mesmo aumentar o nível (intensidade) de serviços que você já adquire. Isso quando não lhe pedem para usar o serviço de atendimento via web.

E quando você finalmente consegue chegar a um atendimento real, falando com uma pessoa de “carne e osso” (e não aquela gravação de voz metalizada) você é obrigado a repassar as mesmas informações já digitadas ou confirmar que você é você mesmo, informando o nome do pai, da mãe, sua data de nascimento, seu CPF, etc. Se der sorte e o sistema não tiver caído, pode ser que sua solicitação seja atendida e eles abram o pedido de visita do técnico a sua residência.
Mas, mesmo assim você recebe uma ameaça de que se a responsabilidade pelo defeito for sua, uma taxa será cobrada pelo atendimento. Apesar de tudo você aceita e pede para que ela venha a sua casa o mais rápido possível. Infelizmente, antes de desligar o telefone você é obrigado a esperar vários minutos para que ele possa introduzir todos os dados e informações de sua solicitação no sistema. E isso demora muito. A pergunta que não quer calar: por que ele não faz isso após desligar? Por que você precisa ficar esperando que ele faça o seu trabalho para então poder desligar?
E quando diz que está tudo OK, o atendente gentilmente pede para você responder a pesquisa de satisfação sobre o atendimento? Mas, você acaba aceitando! E a gravação indaga: sua solicitação foi atendida? Ora, como você queria apenas que o técnico fosse até a sua residência, com certeza irá dizer sim. E é ainda capaz de dar um elogio no final.

Geralmente você irá perder mais de uma hora entre a tentativa de ligar e ter a sua solicitação atendida. É muito tempo! Ninguém tem todo esse tempo a perder.
Então por que os serviços de atendimento ao cliente são tão péssimos? E não estamos falando de micro empresas! Estamos falando de organizações multinacionais que têm recursos, possuem gestores de primeira linha, equipes altamente qualificadas, etc. Então qual é o problema? Como mudar tudo isso?

Embora não tenhamos a resposta da causa desses problemas é preciso entender que as pesquisa feitas pelos Serviços de Atendimento ao Cliente não medem a satisfação com o SAC e sim, como o atendimento foi feito naquele momento. Ninguém pergunta se você ficou satisfeito com o tempo gasto para falar com o atendente ou para ter a sua solicitação atendida. Eles não perguntam o que você acha do menu de opções, ou da dificuldade de conseguir chegar a falar com o atendente.

Contudo, tenho uma proposta que pode mudar esse jogo. E é uma proposta simples: fazer como que todos os diretores e presidentes dessas empresas testem o seu respectivo serviço de atendimento ao cliente.
Basta simular um problema real e ir até o fim. Até conseguir resolver e desligar. Não estamos falando de cliente oculto ou fantasma. Estamos sim falando de Presidente oculto ou diretor fantasma!

Duvido que o Presidente da GVT, ou o da SKY tenham feito (eles mesmo) uma ligação para resolver um problema com seu modem, ou com a sua TV por assinatura. Duvido que os Presidentes da Oi, Tim, Vivo, ou mesmo da Claro tenham tentando pedir para cancelar uma linha telefônica, ou solicitar o reembolso de um serviço cobrado mas não solicitado.

Sabem por que é fácil perceber que nunca fizeram este teste? Porque o serviço é péssimo. Se eles tivessem mesmo feito esse teste até o final já teriam melhorado o SAC. Muita coisa pode ser mudada, melhorada, simplificada. O tempo de atendimento pode ser reduzido. O cliente pode ser bem atendido e ficar satisfeito. A satisfação pode levar a fidelidade, algo que é perseguida por todas as organizações.
Tenho fé em Deus que isso vai acontecer um dia, não muito longe daqui e de hoje!!!!

Vamos espalhar essa idéia: Presidente Oculto, teste o seu SAC!!!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

COMO ELABORAR UM BRIEFING PARA CAMPANHAS DE COMUNICAÇÃO


Por Artur Reis

Introdução
Por traz de uma campanha de comunicação de sucesso existe uma boa agência. Mas, para que a agência possa desenvolver uma boa campanha é necessário ter em mãos um mínimo de informações que possibilitem orientar o planejamento criativo de acordo com o resultado que se espera atingir.

Essa postagem traz dicas sobre a elaboração de Briefings para campanhas de Marketing esperando que possam ajudar aos profissionais que não possuem a formação específica nessa área, ou que estão no início de carreira nas empresas anunciantes ou nas agências de comunicação.

Conceituando o Briefing
No universo das grandes agências, o Briefing é um instrumento largamente conhecido e utilizado no processo de elaboração de campanhas. Contudo, ainda existe um grande contingente de agências (na sua maioria pequena e média), que pecam por não trabalhar com esse instrumento de extrema valia que pode fazer a diferença no acerto da campanha.

Dentro desse mesmo raciocínio podemos afirmar que as empresas de grande porte, que tem uma área de Marketing estruturada com profissionais especializados, utilizam de forma sistemática o Briefing como ferramenta necessária para o desenvolvimento de diversos trabalhos de Marketing, como:
·         Campanhas publicitárias
·         Campanhas promocionais
·         Desenvolvimento de novos produtos e novas embalagens
·         Pesquisas de mercado
·         Criação de materiais de Trade Marketing (merchandising).

Por outro lado, muitas empresas de pequeno ou médio porte, por não contarem com profissionais especializados, desenvolvem suas campanhas apenas com base nas percepções do seu sócio ou dirigente, nem sempre, conseguindo repassar para a agência contratada, todas as informações que realmente podem ajudar na criação e planejamento de campanhas eficazes.

Conceito de briefing dentro do contexto da comunicação e marketing.

No idioma inglês, o termo “Brief” significa “resumo, síntese, breve, etc”.
Já no jargão de negócios, a palavra Briefing (derivada de Brief) significa: “conjunto de informações, ou orientações sobre um determinado assunto para o desenvolvimento de algum trabalho”.

Briefing também é usado para apelidar a reunião na qual são repassadas as instruções e orientações para o desenvolvimento de algum trabalho (job).

Quando consideramos o contexto mercadológico, Briefing é o instrumento que reúne um conjunto de informações relativas à empresa, ao produto, ao público-alvo, etc., com o objetivo orientar e ajudar a agência contratada no desenvolvimento da campanha solicitada.

Podemos dizer então que BRIEFING é um documento que contém todos os elementos e subsídios necessários para orientar a agência no processo de criação de campanhas e na determinação dos meios de comunicação mais eficientes.

Modelo de Briefing
Empresas multinacionais, assim como organizações de grande porte, geralmente possuem um modelo pré-definido de Briefing visando manter suas subsidiárias, divisões e filiais trabalhando de forma alinhada e resguardar o posicionamento dos produtos e das marcas.

Da mesma forma, as agências de comunicação estruturadas também trabalham com um modelo padronizado de Briefing com o objetivo de receber as informações necessárias para o desenvolvimento das campanhas. Assim reduz-se o risco de que alguma informação importante para o sucesso da campanha, não seja repassada nas reuniões entre o atendimento da agência e representantes do cliente.

Apresentamos, a seguir, um modelo de Briefing bastante completo que pode ser de grande valia para os profissionais da área no desenvolvimento de campanhas.

MODELO DE BRIEFING 

1 – Histórico
Para início de uma relação entre a agência fornecedora de serviços e a empresa contratante é imprescindível apresentar as informações básicas sobre a empresa, seus produtos, suas marcas, etc.
O nível de detalhamento do histórico depende muito da experiência e do conhecimento prévio da agência sobre a empresa contratante.
Devem-se incluir também dados históricos de vendas, participação no mercado, estratégia de preços, situação competitiva da empresa no mercado, etc.

2 – Objetivos da campanha
Para facilitar o trabalho da agência é fundamental explicar quais são os principais objetivos (primários e secundários) a serem alcançados com campanha.

Exemplos de objetivos:
  • Lançar um novo produto
  • Ajudar a fixar a marca do produto
  • Reposicionar o produto ou a marca
  • Aumentar as vendas
  • Aumentar a participação de X% para Y%.

3 – Descrição do Produto
Disponibilizar uma breve descrição do produto e da linha de produto envolvida na campanha:
·         Que produto será promovido na campanha (o que é, para que serve, etc.)
·         Qual a sua linha de produto
·         Marca do produto - estratégia de marca utilizada pela empresa

4 – Posicionamento
Nessa seção a empresa deve deixar explícita qual é o posicionamento adotado para o produto ou sua marca. O posicionamento deve ser a mais básica orientação estratégica de uma marca, por isso deve preceder a escolha das demais ferramentas mercadológicas.

O Posicionamento de uma marca representa a forma pela qual a empresa deseja que esse produto ou a marca sejam lembrados ou percebidos pelos seus usuários, consumidores e pelo público em geral.
Em geral a empresa utiliza elementos associativos para definir o posicionamento de uma marca.

Exemplos:
OMO LAVA MAIS BRANCO - Durante muitos anos o detergente OMO ficou conhecido pelo posicionamento inicial: lavar mais branco. Essa proposição aparecia em todos os anúncios veiculados pela marca no passado. Entretanto a Unilever passou a adotar um novo posicionamento para a marca OMO: Remoção de Manchas. Hoje, a partir de uma nova estratégia de marca, OMO pode ser considerada uma marca mãe ou guarda-chuva, que abriga sub-marcas como: OMO Multiação, OMO Progress + e OMO Comfort.
Algumas dessas sub-marcas podem ser encontradas em diferentes versões, que por sua vez possuem um distinto diferencial competitivo para facilitar o foco junto ao consumidor e promover um maior nível de lembrança.


5 - Atributos e benefícios
Relacionar as principais características (atributos) do produto e os benefícios que estes atributos prometem levar aos consumidores e usuários.
Atributos - podem ser informações sobre os componentes do produto, especificações técnicas, ingredientes, fórmulas do produto, cor, aroma, design, embalagem, equipamentos, instalações, etc.

Benefícios – sãos as soluções ou vantagens que os atributos proporcionam para os consumidores e usuários. Exemplos: sabor, gosto, agilidade, confiança, segurança, tradição, eficácia, beleza, estilo, status, etc.

6 – Diferencial competitivo
Uma boa campanha deve ter foco. A inclusão de muitos elementos numa peça pode dificultar o recall (lembrança). Para que a agência possa focar é preciso escolher algo que realmente faça a diferença quando se compara o produto ou a marca aos seus concorrentes.
Qual é o principal diferencial competitivo desse produto ou da marca?
O diferencial pode ser extraído dos atributos ou dos benefícios e por isso deverá ser comunicado com ênfase na campanha.

O diferencial competitivo é a maior promessa que o produto ou a marca pretende cumprir. Também é conhecido comoUnique Selling Proposition – USP” (argumento principal de venda).

Alguns exemplos:
A Domino´s Pizza ficou conhecida no mundo pela rapidez da entrega. Nos EUA eles garantiam a entrega em 30 minutos, ou o cliente recebia um estímulo como, um desconto no preço ou a Pizza grátis. Esse diferencial competitivo levou ao reconhecimento do público com sendo a empresa de Pizza especializada em entrega rápida (30 minutos).
Veja:


No caso do OMO, embora o posicionamento da marca OMO esteja ligado a “limpeza e remoção de manchas”, cada marca tem um diferencial competitivo explorado:
  • OMO Multiação imbatível nas manchas mais difíceis até no ciclo mais rápido;
  •  OMO Comfort Classic combina a maciez, o cuidado e o perfume de Comfort Classic ao poder de limpeza e remoção de manchas já conhecido de Omo;
  • Comfort Pétalas de Violeta e Ylang Ylang garante roupas mais cheirosas e gostosas de usar;
  • OMO Progress + remove as manchas mais difíceis em um único passo.

7 – Por que (Justificativa)
Mesmo que não seja necessário mostrar de forma explícita é sempre importante entender como o produto ou a marca conseguem oferecer esse diferencial competitivo.
É a justificativa que dá suporte a promessa feita. Pode explicada através de atributos ou benefícios, etc.

Exemplos:
No caso da Domino Pizza, o suporte logístico e eficiente é necessário para cumprir a promessa. A empresa tem adotado esse posicionamento há anos e já é bastante lembrada por este diferencial, já tendo conquistado a confiança do público. Nesse caso a promessa da entrega mais rápida se baseia na confiança conquistada junto ao seu público.
Veja: 



No caso da OMO:
  • OMO Multiação mais – remove as manchas mais difíceis até no ciclo mais rápido porque traz uma nova fórmula com “Poder Acelerador”.
  • OMO Comfort Classic - Com ingredientes exclusivos em sua formulação, garante roupas perfumadas e gostosas de usar;
  • OMO Progress – remove as manchas mais difíceis em um único passo, pois tem 3 X mais agentes de limpezas.
Vide: Website OMO 

8 – Público-Alvo
Detalhar quais são os potenciais consumidores e influenciadores de consumo. Descrever o perfil do público-alvo em termos demográficos e psicográficos (seus hábitos, suas atitudes, seus gostos, suas preferências, etc.).

9 – Faixa de referência/ Categoria de produto
Delimitar quais são os concorrentes diretos do produto/ marca. Mostra em que categoria o produto está inserido? Quais são seus principais concorrentes? E quais são seus concorrentes indiretos?

Exemplo: Coca-Cola está situada na categoria de refrigerantes de sabor Cola. Concorre primariamente com outros refrigerantes de sabor Cola, mas de forma secundária disputa o mercado de refrigerantes de forma geral. E se ampliarmos o espectro da concorrência, Coca- Cola concorre também com sucos e outras bebidas não alcoólicas encontradas no varejo e nos pontos de consumo. Ainda dentro da categoria de refrigerantes podemos entender que a Coca-Cola concorre mais diretamente com a Pepsi-Cola, enquanto numa visão ampliada, concorre com outros refrigerantes de sabor Cola, de menor preço, como as Tubaínas.
Saber definir corretamente a faixa de referência também faz parte da estratégia de posicionamento competitivo da marca.

10 – Personalidade da Marca
O novo produto pode fazer parte de uma nova marca ou de uma marca já estabelecida.

É importante apresentar no briefing os elementos que estão associados à imagem da marca. “Tentar descrever a “alma” do produto, ou seja, apresentar algum elemento que possa descrever a personalidade da marca, facilitando à compreensão por todos os consumidores e usuários.

Exemplos:
A Kellogg´s utilizado o personagem animado Tony nas embalagens e nos comerciais para transmitir o conceito da personalidade de sua marca de Sucrilhos que envolve: força, agilidade, garra, disposição.
Já as campanhas dos amortecedores COFAP usavam o cachorrinho para mostrar o principal benefício: confiabilidade nas curvas.


11 – Elementos obrigatórios
São elementos que sempre fazem parte da estratégia de comunicação do produto e da marca. Esses elementos devem estar inseridos em qualquer campanha: logomarca, frases, assinaturas, slogan, símbolos, cores, etc.

Exemplo: O tigre Tony dos Sucrilhos Kellogg´s sempre aparece nos comerciais. A figura do andarilho do Uísque Johnny Walker também deve estar presente nas peças criativas do produto.

12 – Materiais de Trade Marketing
Para garantir a eficácia da campanha, em muitos casos é necessário desenvolver materiais que serão colocados nos pontos de vendas, ou nos locais onde o produto (ou serviço) será adquirido ou comercializado. Também são conhecidos como materiais de merchandising,
A criação desses materiais deve estar alinhada ao tema da campanha. Por isso são desenvolvidos de acordo com o perfil da loja e dos canais de distribuição do produto.

Os materiais de merchandising ajudam na rápida identificação do produto e da marca servindo também para aumentar as vendas por impulso.

Exemplos de materiais de merchandising:
  • Displays de pontos de vendas
  • Woobler
  • Faixas e demarcadores de gôndolas
  • Cartazes
  • Displays de balcão
  • Móbiles
  • Faixas
  • Folhetos
  • Banners e galhardetes
  • Adesivos
  • Luminosos
  • Placas luminosas
  • Monitores de TV com mensagens veiculadas

Atualmente, a tecnologia incorporada ao Trade Marketing possibilita desenvolver materiais e recursos que levam os consumidores a experimentarem sensações marcantes: áudio, visual, olfato, tato e paladar. A combinação do uso dos vários sentidos na demonstração de produtos nos pontos de venda traz resultados muito mais favoráveis para empresa.

13 – Orçamento e Verba de Comunicação
É fundamental apresentar para a agência o orçamento destinado a campanha, pois dá a dimensão do porte e necessidade de se fazer uma melhor divisão do bolo orçamentário, separando as verbas para produção e veiculação.

O limite do orçamento serve como um “freio” para a área de criação da agência. Quando o orçamento é muito apertado não adianta investir muito na produção de peças que não poderão ser veiculadas com um mínimo de freqüência necessária para gerar uma boa lembrança (recall) e se atingir o nível desejado de cobertura do público-alvo.

Não existe uma regra fixa com relação à forma de definir o nível de investimentos em marketing necessários para apoiar um produto ou marca numa campanha. A decisão do montante de uma campanha deve considerar diversas variáveis importantes como:
  • A necessidade de construção da marca
  • O estágio do ciclo de vida em que o produto ou a categoria do produto se encontra
  • Os investimentos feitos pelos concorrentes
  • O tipo de negócio ou segmento de atuação da empresa
  • A margem de lucratividade do produto e a capacidade de investimento da empresa
  • O objetivo de crescimento em vendas ou de participação de mercado         


Quando o cliente define antecipadamente qual será o meio principal de comunicação a ser utilizado é possível ter ideia do mínimo de verba necessária para que a campanha possa trazer resultados concretos. Uma gota de tinta numa piscina não produz muito efeito, mas num copo d’água pode tingir o seu conteúdo.
Por isso a agência deve ajudar ao cliente na escolha dos meios de comunicação mais adequados para a campanha.

É muito comum empresas desejarem veicular uma campanha massiva na TV sem dispor do mínimo de verba para viabilizá-la. Muitos arriscam seu fluxo de caixa, encomendando campanhas esperando que os resultados de curto prazo possam “bancar” o custo da campanha. Mas é preciso entender que campanhas publicitárias agregam valor em longo prazo. Ou seja, os resultados trazem benefícios de longo prazo para o produto e marca.

Se há necessidade de obter retorno de curto prazo, talvez o mais indicado seja fazer uso de uma campanha promocional, que proporciona benefícios adicionais aos consumidores e usuários.
Exemplo: Promoções do tipo Leve 4 pague 3, sorteios, brindes, etc.

14 – Cronograma da Campanha
Em geral o cliente já chega à agência com o planejamento de suas estratégias e ações mercadológicas pronto, com prazos a serem cumpridos. Por isso é preciso elaborar um bom cronograma para que a agência possa definir bem qual o prazo que ela dispõe para criar a campanha, produzir as peças, contratar os veículos de comunicação, etc.
Erros na definição dos prazos podem acarretar em grandes problemas para a empresa.

Exemplo: uma empresa que planeja fazer o lançamento de um novo produto tem que compatibilizar o prazo de início das vendas do produto com o lançamento da campanha. Neste caso, iniciar a veiculação de uma campanha na TV, sem que o produto esteja distribuído nos pontos de vendas pode implicar num grande fracasso para o novo produto.

Boas campanhas!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE NATAL DO BLOG.

Queridos amigos, seguidores e leitores do Blog. Aproveito este dia de véspera de Natal para publicar a minha mensagem em formato de oração. E logo em seguida, deixo alguns dos comerciais da Natal que fizeram e ainda fazem sucesso.

Oração da Fraternidade

Por Artur Reis


Neste Natal não quero ouro, pedras preciosas ou bens materiais.

Queria apenas mais fraternidade neste mundo.

Queria que o sorriso pudesse estar estampado em todos os rostos.

Queria que as pessoas fossem menos egoístas e mais amigas.

Que as pessoas aprendessem a dividir novamente o pão como Jesus Cristo nos ensinou.

E o pensamento individual pudesse dar lugar ao desejo coletivo.
Que a bondade tocasse os nossos corações.

Que a vida fosse um mar de rosas... brancas, vermelhas... apenas rosas, para que pudéssemos andar por aí, de pés descalços, sem nos preocupar com a brasa que nos queima.

Sem pensar na grife que nos veste, na marca que nos hipnotiza, no outro que nos espia.

Sem sermos escravos do consumo, discípulos dos cartões de crédito, adoradores do luxo.

Queria que pudéssemos dar lugar ao ser ao invés do ter.

Queria voltar ao tempo da ingenuidade, do rubor no rosto, do pegar nas mãos, do beijo roubado e do coração acelerado ao se avistar a pessoa amada.

Queria poder abrir as portas da minha casa. Destrancar as fechaduras, jogar fora os cofres, abandonar as câmeras de monitoramento. Ser novamente livre, dono de minha vida.

Queria poder conversar com estranhos.

Queria poder subir nos morros.

Queria poder sentar na calçada da minha casa, para conversar com meus amigos. Saber de suas vidas. Trocar confidências e dar apoio na hora de angústia.

Queria receber e ser recebido pelos irmãos, com alegria e despojamento.
Queria que Deus pudesse tocar os corações de todos os homens e os fizesse entender, que este mundo é apenas uma escola.

Que estamos aqui de passagem para nos formar na faculdade da vida.
Para aprendermos a ser humildes.

Aprender a dividir e a compartilhar. Pois nada que temos é nosso.
Temos apenas o direito de usufruto. E devemos fazer o melhor com o que Deus nos proporcionou.

Devemos usar o que temos para fazer o bem. Para construir, para edificar, para engrandecer.

Queria que uma gota de bondade pudesse se misturar às taças de vinho que hoje vamos beber para que os homens fossem mais fraternos, mais humanos.

Queria que todos nós pudéssemos beber um gole de compaixão, uma dose de união, um pouquinho de emoção.

Só assim poderemos ficar mais perto de Deus. E quem sabe, poderemos fazer um mundo muito melhor.

Um Natal de muita fraternidade, bondade e amor para todos.

Artur Reis

Seguem abaixo alguns comerciais de Natal que fizeram sucesso nos passado e outros mais novos que tocam os nossos corações.


Comerciais de Natal 

Hoje É Um Novo Dia [Rede Globo - 2013]





Jingle da Varig



Comercial de Natal Coca-Cola (Completo)



Turma Da Mônica - 24/12/2011 - Especial De Natal - HDTV (1080i)



Coca-Cola | Natal Coca-Cola -- Acredite na magia, Betânia do Piauí



Comercial de natal do Santander - A Ideia de Nicolau - Animação

Comercial de Natal do Banco Nacional



JINGLE VARIG Nova Roupagem




terça-feira, 27 de novembro de 2012

A HISTÓRIA DO CIGARRO: A EVOLUÇÃO DE UM PRODUTO POLÊMICO


Por Artur Reis

Aproveitando o contexto atual marcado pela polêmica sobre os efeitos nocivos do fumo, apresento a seguir uma breve retrospectiva da evolução do cigarro como produto, com foco na indústria tabagista, a partir da coletânea de diversas publicações encontradas sobre o tema.


Cigarros Prince Albert da Reynolds

O objetivo é tentar prover uma perspectiva mercadológica do desenvolvimento do cigarro como produto, influenciado por fatores sócio-culturais, econômicos, históricos, geográficos, etc.

Não é, portanto, objeto desta postagem fazer críticas à indústria tabagista, ou ao sucesso das campanhas publicitárias e dos instrumentos de marketing usados para atrair e fidelizar consumidores. Porém é relevante mostrar como o mercado e as indústrias tabagistas se moldaram, diante das pressões e das regulações feitas pela sociedade e pelos governos de diversos países, em função dos graves problemas de saúde causados pelo fumo. Acredito que essa postagem possa também ajudar a explicar o surgimento de conglomerados industriais a partir da tendência de diversificação da indústria tabagista.

Para a elaboração dessa postagem, recorri a diversas publicações sobre o tema, muitas das quais foram  traduzidas por mim, complementadas com informações corrigidas,  comentários, fotos e imagens encontradas na minha pesquisa.

 
1 - A origem do Tabaco

Trecho traduzido do documento “História, Economia e Danos do Tabaco”, publicado pela Health Literacy - vide original em: 

O tabaco tem uma longa história originada nas Américas. Os índios Maias do México esculpiam desenhos em pedra mostrando o uso do tabaco. Estes desenhos datam de algo entre 600-900 DC. O tabaco era cultivado pelos índios americanos antes dos europeus saírem da Inglaterra, Espanha, França e Itália para a América do Norte. Os nativos americanos fumavam tabaco através de uma espécie de tubo para fins religiosos e médicos. Eles não fumavam todos os dias.
O tabaco foi a primeira safra cultivada com fins comerciais na América do Norte. Em 1612 os colonos da primeira colônia americana em Jamestown, na Virgínia, plantavam o tabaco como cultura de rendimento. Era a sua principal fonte de dinheiro. Naquela época as outras culturas comerciais eram o milho, algodão, trigo, açúcar e soja. O tabaco ajudou a financiar a Revolução Americana contra a Inglaterra. Além disso, o primeiro presidente dos EUA também cultivava tabaco.
Por volta de 1800, muitas pessoas passaram a consumir pequenas quantidades de tabaco. Alguns mastigavam.  Outros fumavam ocasionalmente através de um tubo, ou enrolavam manualmente o cigarro ou o charuto. Em média, as pessoas fumavam cerca de 40 cigarros por ano. 
Os primeiros cigarros comerciais foram feitos em 1865 por Washington Duke em sua fazenda de 300 acres em Raleigh, Carolina do Norte. Seus cigarros de palha eram vendidos aos soldados no final da Guerra Civil.

Fonte: http://www.appalachianhistory.net/2012/08/origin-of-phrase-dukes-mixture.html

2 – A Evolução da Indústria do Tabaco

Segue agora a minha tradução de um trecho do estudo publicado pela Faculdade de Direito da Universidade de Dayton, que apresenta detalhes sobre a evolução da indústria tabagista, incluindo algumas correções. Vide: http://academic.udayton.edu/health/syllabi/tobacco/history.htm


O Novo Mundo descoberto
Em 15 de outubro de 1492 Cristóvão Colombo, ao chegar à América, recebeu como presente dos índios americanos, folhas de tabaco secas. Logo depois os marinheiros trouxeram tabaco de volta para a Europa e essa planta passou a ser cultivada em toda a Europa.
A principal razão para a crescente popularidade do tabaco na Europa eram suas supostas propriedades de cura. Os europeus acreditavam que o tabaco poderia curar quase tudo, de mau hálito ao câncer. Em 1571, um médico espanhol chamado Nicolas Monardes escreveu um livro sobre a história das plantas medicinais do mundo novo. Nessa publicação, ele alegava que o tabaco poderia curar 36 problemas de saúde.


Fonte: Website Grenswetenschap
Em 1588, Thomas Harriot, um reconhecido inglês (matemático, astrônomo, etnógrafo, tradutor e explorador) escreveu um extenso livro narrando seus achados em sua viagem a Virgínia, detalhando os hábitos dos nativos do Novo Mundo (englobando Flora, Fauna, recursos naturais). Esse foi o primeiro livro em Inglês sobre a nova terra que passou a ser referência. A partir de seus estudos Harriot promoveu o fumo como um caminho viável para uma dose diária de tabaco. Infelizmente, ele morreu de câncer de nariz (porque na época era comum inspirar a fumaça do fumo pelo nariz).
Durante os anos 1600, o tabaco ficou tão popular que chegou a ser negociado como moeda! O tabaco era literalmente, "tão bom quanto o ouro!" Este foi também um momento em as pessoas passaram a perceber alguns dos efeitos perigosos do tabaco. Em 1610, Sir Francis Bacon percebeu que tentar acabar com o mau hábito era algo muito difícil!

Em 1632, 12 anos após o navio Mayflower¹ chegar a Plymouth Rock, fumar publicamente era ilegal em Massachusetts. Isso tinha mais a ver com as crenças morais da época, do que preocupações de saúde sobre o tabagismo.
 Em 1760, Pierre Lorillard criou uma empresa em Nova York para processar tabaco, charutos e rapé. Hoje, P. Lorillard é a empresa mais antiga de tabaco nos EUA

Obs. 1: Mayflower (literalmente "flor de maio") foi primeiro e famoso navio que, em 1620, transportou os chamados Peregrinos, do porto de Southampton, da Inglaterra, para o Novo Mundo. Fonte: Wikipédia

Tabaco: uma indústria em crescimento
Em 1776, durante a Guerra Revolucionária Americana, o tabaco ajudou a financiar a revolução, servindo como garantia para os empréstimos obtidos junto à França. Ao longo dos anos, mais e mais cientistas passaram a entender melhor os produtos químicos contidos no tabaco, bem como os efeitos nocivos a saúde que o fumo produzia.
Em 1826, a forma pura da nicotina é finalmente descoberta. Pouco tempo depois, os cientistas concluem que a nicotina era um veneno perigoso. Em 1836, Samuel Green, da Nova Inglaterra, indicava que o tabaco era um inseticida, um veneno, e que poderia matar uma pessoa. 


Em 1847, a famosa Phillip Morris é estabelecida, vendendo cigarros turcos enrolados à mão. Logo depois, em 1849, a empresa J. E. Liggett and Brother² é estabelecida em St. Louis, Missouri (empresa que recentemente esteve envolvida num grande processo).
Os cigarros tornaram-se populares nesta época, quando os soldados os levavam de volta para a Inglaterra, obtidos junto aos soldados russos e turcos. Os cigarros nos EUA eram feitos principalmente das sobras da produção de outros produtos do tabaco, especialmente de tabaco de mascar. Mascar tabaco (fumo) tornou-se bastante popular neste momento com os "cowboys" do oeste americano.

Em 1875, a R. J. Reynolds Tobacco Company (mais conhecida pela sua folha de alumínio Reynolds Wrap) foi estabelecida para produzir fumo de mascar.

Não foi até a década de 1900 que o cigarro tornou-se o principal produto do tabaco produzido e vendido. Ainda assim, em 1901, 3,5 bilhões de cigarros foram vendidos, enquanto 6.000 bilhões de charutos eram comercializados.

Em 1902, a britânica Phillip Morris inaugura a sede em Nova York para comercializar seus cigarros, incluindo a marca Marlboro (hoje famosa). Junto com a popularidade dos cigarros, no entanto, começou uma pequena, mas crescente campanha antitabaco, com alguns estados norte-americanos propondo a proibição total do tabaco. 

No entanto, a demanda por cigarros cresceu e, em 1913, a RJ Reynolds começou a comercializar sua famosa marca de cigarros chamada Camel.




Obs. 2: J. E. Liggett and Brother - em 1878 passou a ser denominada, Liggett & Myer Tobacco Manufacturing Company. Na época foi a maior empresa produtora de tabaco (fumo) para mascar. Produzia a famosa marca de cigarros L&M.

Guerra e Cigarros: uma combinação mortal

O uso de cigarro explodiu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde os cigarros eram apelidados de "fumaça de soldado".

Em 1923, a marca Camel controlava 45% do mercado dos EUA. Em 1924, Phillip Morris começa a comercializar Marlboro como um cigarro feminino, por ser "suave como o mês de Maio!

Para combater isso, American Tobacco Company, fabricante da marca Lucky Strike, começa a comercializar o seu cigarro para as mulheres e conquista 38% do mercado. As taxas de tabagismo entre adolescentes do sexo feminino logo triplicam durante os anos de 1925-1935!




Em 1939, a American Tobacco Company lança a nova marca de cigarro Pall Mall, que a permite se tornar a maior empresa de tabaco nos EUA!




Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as vendas de cigarros estavam em alta. Os cigarros foram incluídos nas rações para soldados (como comida!). As empresas de tabaco enviaram milhões de cigarros para os soldados combatentes, de graça. E quando esses soldados retornaram para casa, as empresas tiveram um fluxo constante de clientes fiéis.


Durante a década de 1950, ficou mais e mais em evidência o fato que o tabagismo estava associado ao câncer de pulmão. Embora a indústria tabagista negasse os riscos para a saúde, as empresas desenvolveram novos produtos que eram "mais seguros", como os cigarros com filtro e com menos alcatrão.

Em 1952, P. Lorillard promovia sua marca Kent com o filtro "micronite", que continha amianto! Felizmente foi descontinuada em 1956. Em 1953, o Dr. Ernst L. Wynders descobre que o alcatrão do cigarro colocado sobre as costas dos ratos provoca tumores!


Em 1954, a R. J. Reynolds lança a marca Winston com filtro. 


E em 1956 a Reynolds introduz a marca Salem, que foi o primeiro cigarro com ponta de filtro com sabor mentol.



Riscos à Saúde Revelados!
Em 1964, o relatório do Surgeon General³ (cirurgião Geral) sobre "Tabagismo e Saúde" é emitido. Este relatório ajuda em permitir que o governo americano regule a propaganda e venda de cigarros. A década de 1960, em geral, foi um momento em que grande parte dos riscos do fumo à saúde foram relatados.
Em 1965, os anúncios de cigarro de televisão são retirados do ar na Grã-Bretanha. Em 1966, as campanhas de saúde nos maços de cigarro começam a aparecer.
Em 1968 foi lançada Bravo uma marca de cigarros que não continha tabaco. Feito principalmente do alface, o produto miseravelmente fracassou como produto de massa. Contudo, instalada na Pensilvânia, nos EUA, a empresa ainda existe sob nova administração com o propósito de reduzir gradualmente a vontade de fumar.
Fonte: http://www.bravosmokes.com/
Por causa da pressão da imprensa sobre o tabaco, as grandes empresas de tabaco começaram a diversificar seus produtos. A Phillip Morris compra a Miller Brewing Co., fabricante da cerveja Miller, Miller Lite e Red DogA R. J . Reynolds Tobacco Co. descarta o “companhia de tabaco” de seu nome, se tornando a R. J. Reynolds Industries (Indústrias R. J. Reynolds). Também começa a adquirir outros produtos, tais como o alumínio. A American Tobacco Company também tira “Tabaco” do seu nome, tornando-se a American Brands Inc.


Em 1971, os anúncios de televisão de cigarros são finalmente retirados do ar nos EUA, no entanto, ainda são o produto mais fortemente anunciado seguido dos automóveis. Em 1977, o primeiro nacional Smokeout Great American* ocorre.


Em 1979, o Surgeon General emite um relatório sobre as conseqüências do tabagismo para a saúde das Mulheres. Isto é dirigido ao crescente número de mulheres que adquirem o péssimo hábito de fumar. Alguns atribuem este fato ao mote da campanha publicitária da marca Virginia Slims: "Você percorreu um longo caminho baby!"



Obs. 3 - Surgeon General (tradução: Cirurgião Geral) – Ligado ao Departamento de Serviços Humanos e de Saúde do Governo Americano, é o porta-voz líder do governo federal sobre assuntos de saúde pública.

O passado recente
Durante a década de 1980 havia muitos processos movidos contra a indústria do tabaco, devido aos efeitos prejudiciais dos seus produtos. Fumar se tornou politicamente incorreto, com muitos lugares públicos, proibindo as pessoas de fumar.
Em 1982, os relatórios do Surgeon General advertiam que o fumo passivo poderia causar câncer de pulmão. Fumar em espaços públicos passa a ser restritos, especialmente nos locais de trabalho.

Em 1985, o câncer de pulmão se tornou o assassino n º 1 das mulheres, superando o câncer de mama. A Phillip Morris continuou a diversificação dos seus negócios, adquirindo a General Foods Corporation e a Kraft Inc. em 1985. R. Reynolds também diversificou seus negócios, comprando a Nabisco (dos famosos biscoitos Oreos) e tornando-se a R. J. R. / Nabisco.

Em 1987, o congresso americano proibiu o fumo em todos os vôos domésticos com duração inferior a 2 horas. Em 1990, foi proibido fumar em todos os vôos domésticos, exceto para o Alasca e Havaí. Em 1990, os famosos sorvetes Ben &Jerry boicotam a R. J. R. / Nabisco, retirando os biscoitos Oreos dos seus produtos gelados.
Durante os anos 80 e 90, a indústria tabagista investe fortemente na comercialização de seus produtos em áreas fora os EUA, especialmente nos países em desenvolvimento na Ásia. A Marlboro é considerada a marca n º 1, mais valiosa do que qualquer outro produto, com um valor estimado em mais de US$ 30 bilhões. Durante esse período, há uma batalha entre Coca-Cola e Marlboro pela a marca número 1º no mundo.
Nos últimos, anos, há evidências crescentes que a indústria do tabaco sempre soube que os cigarros são prejudiciais, mas continuou a comercializar e vender. Há também evidências de que eles sabiam que a nicotina era viciante e explorado este conhecimento oculto de obter milhões de pessoas viciadas em este hábito perigoso! 
A verdade está lá fora!

3 – Como o Tabaco se tornou uma indústria: A contribuição de James Bonsack

Fonte: website ceskatelevize.cz
Até o início da década de 1880, o processo de produção de cigarro era manual e lento, limitando a expansão da oferta e do consumo.

O hábito de fumar cigarro se tornou realmente popular e generalizado a partir de 1881, quando James Bonsack inventou a máquina de produzir cigarros. O equipamento de Bonsack era capaz de produzir cigarros simétricos e com o mesmo comprimento, tornando-se comercialmente apelativo ao consumidor.



Com a introdução da nova máquina foi possível aumentar substancialmente a produtividade. Enquanto antes se produzia 3 cigarros por minuto (máximo de 4.000 por dia em turnos de 24 horas), a Máquina Bonsack de cigarros chegava a fazer 120 mil cigarros por dia. Ele entrou no negócio com o filho do Duke Washington, James ”Buck” Duke.

Eles construíram uma fábrica e produziram 10 milhões de cigarros em seu primeiro ano e cerca de um bilhão de cigarros cinco anos mais tarde. A primeira marca de cigarro era embalada em uma caixa com cartões de beisebol e recebeu a marca Duke of Durham. Buck Duke e seu pai começaram a primeira empresa de tabaco dos EUA, chamada de American Tobacco Company.
 
Máquina Bonsack

Em 1990 foi fundada a BritishAmerican Tobacco, joint venture entre a American Tobacco Company e a UK’s Imperial Tobacco Company.


4 –  Algumas Marcas que Fizeram Sucesso no Mercado Americano


Camels - Eles são tão saborosos!

Chesterfield - Ele Satisfaz!

Fatima - Super Suave.


L&M - Orgulho em Fumar. 


Lucky Strike - Médicos dizem: Luckies irritam menos!

Lucky Strike - É tostado. Sua proteção para garganta contra irritação e tosse.




Viceroys com Filtro - Como seu dentista eu recomendaria Viceroys.


Philip Morris - Comprovação científica: Testado na garganta.

Malboro - papai, você sempre obtém o melhor de tudo, até em Malboro! 




5 – Segmentação de Mercado

Como qualquer produto de consumo, o mercado tabagista diversificou-se seguindo tendências e padrões diferentes. Embora o foco dessa postagem seja o cigarro, vale a pena mostrar alguns dos segmentos que surgiram no processo de formação do mercado tabagista e que permanecem até hoje.


a) Charutos






b) Cigarrilhas ou cigarrilhos - normais, aromatizados, com ou sem ponteira














c) Cachimbo




d) Fumo de rolo (ou fumo de corda)




e) Tabaco de mascar (chewing tobacco)




f) Rapé




g) Cigarros de palha




Cigarrilhas Aromáticas



SEGMENTAÇÃO DE CIGARROS

Ao longo do seu ciclo de vida, o cigarro cresceu e amadureceu, entrando numa fase de declínio que se arrasta e se prolonga por muito tempo e que não sabemos quando e como irá acabar. Mesmo assim, durante esse tempo diversas categorias e linhas de produtos foram criadas de acordo com as preferências dos consumidores. É importante ressaltar que o uso das ferramentas de marketing foi essencial na criação dos segmentos e no posicionamento das marcas no mercado de cigarros. Podemos observar algumas das categorias criadas:

1 – Premium (ligado ao luxo e sofisticação) 


Treasurer
Dunhill

Nat Sherman - Fonte: Smoke Scene


2 – Estilo e elegância, sucesso, liberdade



Chanceler

Free

Free

3 – Masculino, feminino



Malboro

Malboro



Virginia Slims


Charm



4 – Com sabor – mentol
Kool
Consul Mentol - Fonte: Blog Sebo e Acervo


5 – Puro ou com filtro (forte ou suave)


California


Continental (sem filtro)

Continental (sem filtro)



 Econômico ou popular (custo x benefício)


Vila Rica

Vila Rica




7 - Esportivo (apelo esportivo)

Fonte: Speed Blog
John Player Special
Fonte: http://euro-cig.com/gallery.php?id_cap=77

Malboro Team Fórmula 1


Cigarros Foot-ball
Fonte: Baú da Propaganda

Anúncio Cigarros Goal 1922

Durante grande parte do século passado muitas campanhas fizeram a cabeça das pessoas, ajudando a associar a imagem de algumas marcas de cigarro à sofisticação, status, sucesso, charme, liberdade, determinação, aventura e esporte, etc. 


6 – Marcas famosas de Cigarros no Brasil e Curiosidades

No Brasil a evolução da indústria do cigarro se confunde muito com a história da empresa Souza Cruz. Mas vamos fazer um breve resumo:

Até a chegada de Dom João VI ao Brasil, quando assinou o alvará de 1º de abril de 1808, não era possível abrir indústrias na “Colônia” para que não houvesse concorrência com Portugal. O primeiro processo de fabricação rudimentar do fumo se limitava ao rolo de fumo. Originado da França, o “Raper Le Tabac” deu origem ao termo rapé no Brasil. Com o costume do rapé introduzido na sociedade brasileira, algumas fábricas de rapé surgiram, inicialmente, em 1817 no Rio e posteriormente na Bahia. Fábricas caseiras de charuto também foram criadas, a partir de 1808, como concorrência ao rapé, concentradas principalmente na Bahia. Uma das principais empresas com atuação neste segmento era a Suerdieck, fundada em 1892, cujos produtos eram inicialmente voltados para a exportação.


Anúncio Charutos Suerdieck

O cigarro chegou ao Brasil apenas no inicio do século XX, quando começou a canibalizar o hábito de se fumar charuto. A fabricação de cigarros se desenvolveu principalmente no Rio, São Paulo e no Rio Grande do Sul. Algumas empresas se restringiam a desfiar o fumo em corda para venda direta ao consumidor, ou para os fabricantes de cigarros. Outros faziam o beneficiamento do fumo para exportação. O clima e a geografia do Brasil se adequavam muito a plantação e o beneficiamento do fumo.


Albino Souza Cruz
Portal da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo



Cigarros Dalila -Souza Cruz
Fonte:  Jacques Broder Blog

A Souza Cruz foi fundada no Rio de Janeiro, em 25 de Abril de 1903, pelo jovem imigrante português Albino Souza Cruz que colocou em operação a primeira máquina de produção de cigarros enrolados em papel.  Uma das primeiras marcas de cigarros lançadas pela Souza Cruz foi a Dalila.

Com o objetivo de obter recursos para financiar a expansão do negócio, Albino Souza Cruz transformou a companhia em S. A., passando o controle acionário a British American Tobacco em 1914, porém permanecendo na presidência.  A partir daí a empresa cresceu, diversificou-se, tornou-se internacional e construiu usinas de processamento de fumo e fábricas em demais estados do Brasil (Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais). 

Ao longo do século passado, a Souza Cruz se tornou um exemplo de empresa bem administrada que proporcionou muitas oportunidades e benefícios para seus gestores e colaboradores. Para atingir os consumidores na ocasião do desejo de fumar, possuía uma cadeia de distribuição bastante pulverizada, que chegava a locais quase inusitados. Nas ruas, o cigarro era vendido também “a retalho”, em fiteiros, bancas de jornais, camelôs, reduzindo assim o valor o custo unitário do cigarro.

Durante as décadas marcadas pela inflação em alta, o lucro principal da empresa advinha da boa gestão do fluxo de caixa. Neste período, a principal preocupação da empresa era recolhimento imediatamente o faturamento diário, muitas vezes mais de uma vez ao dia, visando obter ganhos com a aplicação financeira dos altos tributos incidentes sobre o produto. Já com a queda da inflação e a estabilização da economia brasileira, a Souza Cruz, assim como as demais empresas da indústria tabagista, foram obrigadas a se tornar em eficientes focando no resultado operacional.

A Souza Cruz enfrentou a concorrência de diversas empresas de grande porte, entre elas a J. R. Reynolds e a Philip Morris, além de empresas nacionais de menor porte.


Algumas marcas que fizeram parte da história do mercado de cigarros no Brasil

Cigarros Julio Mesquita - Homenagem ao Jornal Estado de São Paulo

Cigarros Turcos

Cigarros Bolero

 


Cigarros Astoria

Cigarros Astoria

Cigarros Astoria


Cigarros Astoria
 
 
Cigarros Belmont
Cigarros Yolanda

Cigarros Yolanda

Cigarros Derby Club
Cigarros Elmo



Cigarros Hollywood

Cigarros Hollywood


Cigarros Hollywood

Cigarros Luxor

Anúncio Camel e Cigarros Minister

Cigarros Odalisca

Cigarros Lincoln

Cigarros Continental

Anúncio Cigarros Califórnia

Algumas Campanhas de TV

Filme Hollywood - 1970
 
Filme Hollywood The Flying Lap
 
Coletânea de Filmes Antigos Hollywood
 
Filmes Antigos Hollywood
 
Filme Hollywood, O Sucesso Miles Away
 
Filme Hollywood, O Sucesso - anos 80
 
Filme Vila Rica com Gerson
 
Filme Chanceler - O Fino que Satisfaz
 
Filme Carlton Lights - Anos 80
 
Filme Continental
 
Filme Minister - 1979
 
 
Filme Minister

Filme Plaza
 
Filme Arizona
 
Filme Charm - 1983
 
Filme Luiz XV - 1978
 

Filme antigo do Malboro

7 – Conclusão

Para finalizar deixo aqui uma mensagem de reflexão sobre a importância da indústria de cigarros no atendimento às necessidades do ser humano. Afinal, se o homem tem o desejo ou a necessidade de fumar, alguma empresa deve prover a solução.


Amostra Grátis Minister Varig

Amostra Grátis Hollywood Vasp


Free Jaz Festival CD - Fonte: Toda Oferta UOL
Joe Camelo: Ícone - Personagem de marca dos Cigarros Camel

 
Mas, até que ponto o uso de instrumentos de marketing como, campanhas publicitárias, degustação de produtos, patrocínios de eventos e técnicas de merchandising pode ser considerado antiético? Até que ponto as técnicas de marketing visando à conquista de novos clientes e fidelização dos clientes atuais podem ser consideradas como práticas inapropriadas. E até que ponto o uso das estratégias de marketing visando à conversão dos fumantes ocasionais em fumantes inveterados são abomináveis?

Gostaria de receber a sua opinião sobre esse assunto. Deixe aqui o seu comentário ou sua crítica sobre este tema. 



Fontes Consultadas:




http://freepages.history.rootsweb.ancestry.com/~earlystlouis/businessads.html

http://www.britannica.com/EBchecked/topic/340438/Liggett-Group-Inc

http://www.lorillard.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Lorillard_Tobacco_Company

http://en.wikipedia.org/wiki/Tobacco_industry#History

http://www.ranker.com/list/tobacco-companies/reference

http://www.bbc.co.uk/news/magazine-20042217

http://en.wikipedia.org/wiki/James_Albert_Bonsack

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2012/11/15/conheca-o-pai-da-invencao-mais-letal-da-historia.htm

http://www.flickr.com/photos/behindthesmoke/6050866543/sizes/o/in/photostream/

http://www.bat.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Great_American_Smokeout

http://www.benjerry.com/company/history

http://ncpedia.org/american-tobacco-company

http://www.philipmorrisusa.com/en/cms/home/default.aspx

http://almanaque.blog.br/tag/souza-cruz/

http://www.souzacruz.com.br/

http://campograndesantos.files.wordpress.com/2011/01/pag-4-001.jpg

http://www.euro-cig.com/gallery.php?id_cap=1#

http://www.forumlogistica.net/site/new/teses/pdf/01dez04_Paulo_Grigorovski.pdf

http://jacquesbroder.blog.uol.com.br/arch2009-06-16_2009-06-30.html