domingo, 23 de outubro de 2011

A Contabilidade como Ferramenta de Gestão




Os últimos três séculos foram dominados por uma só tecnologia. Iniciando-se com os grandes sistemas mecânicos e a Revolução Industrial no século XVIII, posteriormente com a invenção da máquina a vapor no século seguinte e finalmente a partir do século XX iniciou-se a era da informação.
A partir dessa data o mundo tem mudado em uma velocidade vertiginosa, principalmente nas duas últimas décadas, graças ao avanço da ciência, que agrega de uma forma sistemática, novas tecnologias em nosso cotidiano, principalmente na área de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.
Todos estes avanços que nos são disponibilizados geram uma carga cada vez maior de informações, que são acumuladas em grandes bancos de dados e colocadas a nossa disposição. Não é de se estranhar que uma das marcas mais valiosa do mundo seja atualmente a GOOGLE, ultrapassando gigantes como a GE, Microsoft, Coca Cola e IBM. O grande desafio atualmente é sabermos utilizar essa grande massa de informações em nosso proveito e obter vantagem sobre aqueles que por qualquer motivo ignoram essa possibilidade.
A aplicação da alta tecnologia ora disponível encurta distâncias e torna o tempo uma variável cada vez mais importante. Foi criada uma nova ordem política, econômica e social com o fenômeno da globalização. As fronteiras deixaram de ser obstáculos, grandes somas de recursos transitam a velocidade de um toque no teclado ou mouse, inserindo as pessoas e as empresas em um cenário cada vez mais competitivo, exigindo de todos velocidade na tomada de decisão. Diferentemente do passado não é o maior que leva vantagem sobre o menor é o mais rápido em detrimento ao mais lento.
Como não poderia deixar de acontecer, as relações econômicas e financeiras foram afetadas de forma significativa, por conseqüência a vida das empresas também foi afetada, mais particularmente quanto ao controle e gestão do seu patrimônio, abjeto finalístico da contabilidade.
O sucesso de toda empresa, seja ela de qualquer porte, está intimamente ligado ao conhecimento que ela possui de si mesma, do mercado em que atua e dos seus concorrentes. Desta forma, o grande desafio dos gestores modernos é contar com boas ferramentas para obter informações precisas, que lhes permitam primeiramente planejar e em seguida acompanhar o desempenho da sua empresa, frente às suas próprias metas, ao mercado e finalmente aos seus concorrentes. Essas informações por sua vez só se tornam válidas quando são fornecidas em tempo para que medidas saneadoras sejam tomadas, em caso de necessidade.
Cada vez mais os sistemas contábeis, extrapolam o campo da obrigatoriedade legal e se transformam em fonte segura para a tomada de decisão, oferecendo uma gama de poderosos instrumentos de análise para a gestão. Para que isso possa acontecer de uma forma rápida e eficaz, os dados que alimentam esses sistemas tem que ser coletados, armazenados em informações válidas, e distribuídas com os usuários.
A construção de equipamentos cada vez mais rápidos e sofisticados, programas com grande capacidade de processamento e meios de comunicações capazes de transmitirem dados com velocidade e segurança, permitiu um grande avanço da contabilidade ao incorporar em sua área de atuação, toda essa tecnologia disponível que, entretanto será inútil se os dados gerados pelos agentes econômicos, através de transações entre si, e processados pela contabilidade, não forem disponibilizados ao gestor de uma forma organizada, precisa, compreensível e imediata.
Como não poderia deixar de ser o governo, como um dos maiores e mais privilegiados usuários da contabilidade, atento a toda essa parafernália tecnológica disponível, tem investindo sistematicamente imensas somas em tecnologia, com o objetivo de cada vez mais aprimorar seus controles sobre os contribuintes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.
Atualmente está em andamento um projeto governamental denominado SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), composto basicamente de três subprojetos: Escrituração Contábil Digital, Escrituração Fiscal Digital e Nota Fiscal Eletrônica, permitindo que os órgãos de fiscalização e controle, tenham em seus arquivos e em tempo real todas as transações econômicas e financeiras geradas pela economia do país.
Inicialmente a obrigatoriedade está restrita a um pequeno número de empresas, geradoras das maiores arrecadações tributárias, porém fatalmente, em um período relativamente curto de tempo, todas as empresas indistintamente, independente do seu segmento de atuação ou porte, serão obrigadas a atender a essas novas exigências.
Pesquisas indicam que entre as pequenas empresas o índice de mortalidade chega a 56% ate o 3º ano de vida, sendo apontada como principais causas, a falta de informações e de dados que permitam a elaboração de um planejamento eficiente e falhas na gestão empresarial, mais especificamente quanto à gestão de fluxo de caixa e custos, ferramentas imprescindíveis e que se utilizam da contabilidade para a sua elaboração.
É impreterível o perfeito entendimento entre o Gestor e o Contabilista. Também é imprescindível que o Contabilista conheça a demanda do Gestor por informações capaz de definir, em termos econômicos e financeiros, as estratégias de negócio que possam influenciar decisivamente nos resultados da organização. Por sua vez o Gestor, como usuário privilegiado da contabilidade, deve possuir conhecimentos necessários, a fim de solicitar com precisão essas informações, interpretá-las e utilizá-las corretamente, conforme o seu modelo decisório.
Muitos empresários costumam ver a contabilidade como um “mal inevitável”, que não traz nenhum benefício para a empresa, servindo apenas para prestar informações ao Governo para efeito de fiscalização e cobrança de impostos. Olham a contabilidade apenas como burocracia inútil, e se lastimam por ter de pagar por um serviço que não traz nenhum resultado, alguns até alegam que o Governo, como único beneficiário, é quem deveria pagar por esses serviços.
Este pensamento é fruto da falta de conhecimento, por parte dos empresários, da capacidade que a contabilidade possui de gerar informações úteis para o auxílio da gestão da empresa, bem como o desinteresse e/ou a falta de capacidade técnica de alguns profissionais da área contábil, em prestar um serviço, que possa ser utilizado rotineiramente nos processos decisórios. O “mal inevitável” deve ser transformado em uma ferramenta valiosa para a gestão empresarial.
Para que isso ocorra deve ser criada uma poderosa simbiose entre o gestor empresarial e o contabilista, capaz de gerar um ambiente favorável que resulte em resultados positivos para ambas as partes, com o empresário recebendo um serviço útil que justifique o seu custo e o profissional de contabilidade agregando valor ao seu trabalho, devendo cada um estar consciente, do papel que lhe compete no complexo processo de gestão empresarial, bem como estejam capacitados tecnicamente, dentro do limite de suas respectivas atribuições, para poderem solidariamente e de forma consciente, responderem positivamente aos desafios cada vez maiores nesse ambiente de extrema competitividade em que todos convivem.


Hermes Cavalcanti de Araújo
Bacharel em Contabilidade e Especialista em Controladoria pela Universidade Federal de Pernambuco

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