quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CRISE NA KODAK – SERÁ QUE ELA PERMANECE OU DESAPARECE?

Por Artur Reis


Introdução
O mundo inteiro especula sobre o futuro da Kodak. Como pode uma empresa centenária, dona de uma marca que é quase sinônimo de câmera fotográfica chegar a um ponto onde tenha que pedir concordata para tentar sobreviver ao caos que lhe consome?
Muitos já prevêem o desaparecimento da empresa e da marca. Outros acham que a Kodak nunca mais conseguirá se reerguer.
Este caso merece algumas reflexões. 

Valor da Marca
Em 2001 a Interbrand publicava a lista das 100 marcas mais valiosas (TOP 100 Brands) na qual a Kodak aparecia na 27ª posição com valor de US$ 10,801 bilhões.
Desde então a marca Kodak passou a registrar uma contínua queda de valor na lista da Interbrand publicada anualmente. Em 2006 a Kodak já se situava na 70ª posição valendo US$ 4,406 bilhões, porém caindo para 82ª posição em 2007, com valor de US$ 3,874. A partir daí a marca Kodak saiu do ranking das marcas mais valiosas da Interbrand.

Concordata
A Kodak entrou com um pedido de Concordata nos EUA, com o objetivo de implementar um plano de reorganização de suas atividades. Paralelamente obteve um empréstimo junto ao Citigroup no valor de US$ 950 milhões para financiar a continuidade de suas operações.

Vide abaixo matéria do Globo de 19/1/2012:

19/01/2012 05h12 - Atualizado em 19/01/2012 13h35
Kodak pede concordata nos EUA
Empresa solicitou proteção judicial para reorganizar seus negócios.
Kodak foi fundada em 1888 com sede em Rochester, Nova York.
Do G1, com agências *
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A centenária companhia fotográfica Eastman Kodak apresentou perante um tribunal de Nova York um pedido de concordata para reorganizar seus negócios. A informação foi divulgada pela própria empresa, nesta quinta-feira (19), por meio de comunicado. "A companhia e suas subsidiárias nos EUA entram com pedido voluntário de 'proteção' ao Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos", afirmou em nota.
A Kodak pediu concordata depois de não ter conseguido captar dinheiro para financiar uma recuperação financeira de longo prazo. Com o pedido, a empresa pretende reforçar a liquidez nos Estados Unidos e no exterior, rentabilizar a propriedade intelectual não estratégica, solucionar a situação dos passivos e concentrar-se nos negócios mais competitivos.




















No fim dos anos 20, imagem de arquivo mostra o fundador da Eastman Kodak, George Eastman, à esquerda, ao lado de Thomas Edison, ambos com suas invenções. Edison inventou o equipamento para projeção de imagens em movimento e Kodak inventou o filme de rolo e a câmera de caixa, que ajudaram a criar a indústria do cinema. (Foto: AP Photo)

Estratégia
Pioneira dos processos fotográficos, a Kodak foi fundada em 1888 com sede em Rochester (Nova York). Há décadas, porém, a empresa luta para lidar com a concorrência emergente no segmento fotográfico, o que se acentuou com o surgimento da tecnologia digital.
Sua cartada final - uma tentativa de se transformar em uma empresa que vende impressoras - revelou-se algo demasiadamente caro em meio às vendas em declínio do filme fotográfico e às caras obrigações pagas aos funcionários aposentados.
O pedido de concordata é um revés para o presidente executivo, o espanhol Antonio Perez, que assumiu o cargo de executivo-chefe da Kodak em 2005. Ele havia trabalhado por 25 anos na Hewlett-Packard Co., ajudando a contabilizar mais de US$ 7 bilhões em valor de mercado para a HP. Na Kodak, contudo, não conseguiu repetir o feito.
Incertezas sobre a estratégia utilizada por Perez para tentar levantar o setor de impressoras da empresa levanta questões sobre o destino dos cerca de 19 mil funcionários da companhia. A operação também representa riscos para os aposentados da Kodak, dando margens à possibilidade de a empresa tentar fugir de suas obrigações sobre as pensões e a assistência médica dos trabalhadores perante o Tribunal.

Financiamento
A empresa disse que obteve US$ 950 milhões em financiamento do Citigroup e que continuará a operar seus negócios. "A recuperação econômica da empresa visa impulsionar a liquidez nos EUA e no exterior, obter capital não estratégico proveniente de propriedade intelectual, equacionar os passivos herdados e permitir que a empresa se concentre em suas linhas de negócios mais valiosos", disse o comunicado emitido pela Kodak.

 Na foto de setembro de 2008, slides antigos do filme Kodachrome são exibidos em Clarence, N.Y. (Foto: AP Photo)

Lei de falências nos EUA
saiba mais
O Capítulo 11 da lei de falências americana (Bankrutpcty Code) permite a uma empresa com dificuldades financeiras continuar funcionando normalmente, dando-lhe um tempo para chegar a um acordo com seus credores.
Para tanto, a empresa precisa entrar com uma petição junto a uma corte do país. A discussão sobre o termo se dá porque esse documento é chamado "bankrutpcy petition". A legislação americana define "bankruptcy" como "procedimento legal para lidar com problemas de dívidas de indivíduos e empresas". Sua tradução para o português, no entanto, é "bancarrota" – termo que equivale à falência da empresa. Ao arquivar a petição, no entanto, a empresa entra em um processo que se assemelha mais, no Brasil, à recuperação judicial (veja abaixo como funciona a lei brasileira).
A proteção do Capítulo 11 pode ser requerida seja pela empresa em dificuldades, seja por um de seus credores. Este procedimento significa uma vontade de reestruturação da companhia, sob o controle de um tribunal.
Foto de 6 de janeiro mostra um dos muitos estacionamentos para funcionários da Kodak que estão vazios em Rochester, N.Y. (Foto: AP Photo)

O Capítulo 11 permite ao devedor manter todos seus ativos, se opor às demandas de seus credores, adiar os prazos de seus pagamentos e até reduzir unilateralmente sua dívida. Em contrapartida, obriga a empresa que se coloca sob sua proteção a dar ao juiz das falências informações detalhadas sobre o andamento das transações sobre seus credores.
A companhia que solicita esta proteção também deve preparar sua demanda da forma mais detalhada possível para informar devidamente o juiz e seus credores de sua real situação financeira.
Se as transações transcorrem bem, a empresa consegue do juiz e dos credores um plano de reorganização dentro de um prazo de até vários meses. Trata-se de um contrato que estipula a forma como a companhia vai pagar suas dívidas e de onde virá o dinheiro que servirá para este fim.
Imagem registrada em 5 de janeiro deste ano mostra o memorial George Eastman, onde estão as cinzas do fundador da Kodak. (Foto: AP Photo)

Lei de falências no Brasil
No Brasil, a lei 11.101, mais conhecida como Lei de Falências e Recuperação de Empresas (LFRE), sancionada em 9 de fevereiro de 2005 pelo Presidência da República, regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade.
A recuperação judicial é abordada no capítulo três da lei, que explica que “tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica”.
O advogado Eduardo Henrique Vieria Barros, da ERS Consultoria, escritório especializado em recuperação judicial, explica que a lei de 2005 acabou com o instrumento da "concordata" no Brasil. A nova legislação, comenta o advogado, permite que a empresa endividada apresente a sua própria proposta para os credores.
“A recuperação judicial é um avanço, pois é um processo baseado na negociação e permite que credores e devedores apresentem as condições que acreditam ser razoáveis”, diz Barros.
A legislação fixa um prazo de seis meses para a negociação entre as partes, que é intermediada por um administrador judicial nomeado pela Justiça. No caso de não haver acordo entre credores e devedores sobre o plano de recuperação, é decretada a falência.
O capítulo cinco da lei é o que diz respeito à falência. De acordo com ele, “ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa”.
Segundo o texto, “a decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios”, e as partes responsáveis “serão representadas na falência por seus administradores ou liquidantes, os quais terão os mesmos direitos e, sob as mesmas penas, ficarão sujeitos às obrigações que cabem ao falido”.
(*com informações da Efe e Agência Estado)

Fonte:
http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/kodak-pede-concordata-nos-eua.html

Futuro da Kodak
É impossível prever o futuro da Kodak dentro de um horizonte de longo prazo, mas podemos fazer algumas considerações baseadas numa análise histórica da empresa e nos fatos atuais apresentados.
Todos nós concordamos que o principal erro estratégico da Kodak foi sua demora na entrada no mercado digital. Em 1975 a Kodak apresentou o primeiro protótipo de uma câmera sem filmes, baseada no sensor CCD da Fairchild. Esse equipamento com 4 quilos podia gravar, a cada 23 segundos, imagens de apenas 0,01 megapixels numa fita K-7.  A Kodak preferiu retardar a entrada no mercado de tecnologia digital para não arriscar o seu negócio de fotografia tradicional.
“Apesar do pioneirismo da Kodak e da Fairchild, quem daria às câmeras sem filme (ainda não digitais) o status de produto de consumo seria a Sony, que em 1981 anunciaria sua primeira Mavica, com preço estimado em US$ 12 mil. O protótipo, de 0,3 megapixels, armazenava até 50 fotos coloridas nos inovadores Mavipaks, disquetes de 2 polegadas precursores dos de 3½ atuais, também inventados pela Sony. Suas imagens, entretanto, eram similares às imagens televisivas estáticas.”
Fonte: Forum Mundo Fotográfico: 

Quando a Kodak resolveu investir agressivamente no mercado digital, outros fabricantes já estavam adiantados na conquista desse novo segmento.
Houve também um equívoco quanto ao posicionamento da Kodak em optar por investir no mercado de câmeras digitais com apelo profissional, já que em sua trajetória, seus produtos sempre tiveram como atributos: facilidade, praticidade e conveniência, com preços acessíveis. 
Mais uma vez a Kodak teve que mudar a sua estratégia de desenvolvimento de produtos.
Sua forma de atuação no varejo através das lojas de revelação de filmes e impressão de fotografias tradicionais também teve que ser repensada, embora tardiamente, em função da mudança do mercado para a era da impressão digital. 

O Momento Atual
Por outro lado, além do mercado consumidor, muita gente não sabe que a Kodak tem uma forte atuação em outros negócios como: tecnologia na fabricação de máquinas para impressão de jornais, livros, revistas e demais documentos, produção de embalagens, produção de materiais para laboratório profissional, produção de filmes para cinema, etc.  

Segundo informações recebidas de fonte confiável, as operações de sua subsidiária no Brasil têm sido lucrativa e não estão previstos cortes de investimentos em função da crise nos EUA.

Apesar da queda no valor, a marca KODAK continua a ser, talvez, a marca mais conhecida e lembrada, como fabricante de câmeras fotográficas. Isso significa que, mesmo que as ações e o comando da empresa possam mudar de mãos, suas operações devem continuar operando, lançando produtos e desenvolvendo negócios em todo o mundo. Obviamente é necessário um freio de arrumação para se desfazer de negócios que não geram rentabilidade e que não fazem parte do core business. A Kodak possui muitas patentes que podem se transformar em produtos e negócios.
O momento atual é de reorganização e reestruturação de negócios, para ganhar confiança do mercado e tentar aumentar o valor das ações. Muitas empresas já passaram por grandes reestruturações e hoje continuam atuando em negócios diversificados com crescimento e rentabilidade. Podemos citar como exemplo, os casos da IBM, da Xerox e da HP.
  
E falando em ações, existe uma regra que diz: para se ganhar dinheiro com ações é preciso comprar no período de baixa e vender no período de alta. As ações da Kodak atingiram o patamar mínimo de 30 centavos de dólar.
Você arriscaria comprar ações da Kodak neste momento?



domingo, 8 de janeiro de 2012

Informação: a bússola do empreendedor


Estou apresentando abaixo um artigo muito interessante, falando sobre a importância do planejamento para micro e pequenas empresas, publicado em 22/12/11 pela Regina Paes no blog Comunidade Grupo Foco. 

Quem tiver interesse pode acessar o link para maiores informações: http://blog.grupofoco.com.br/comunidade/index.php/2011/12/22/informacao-a-bussola-do-empreendedor/



Lançar-se ao mar dos negócios sem bússola, contando que o vento o leve a um porto seguro, pode ser muito arriscado.  A sorte favorece a mente bem preparada.  Por isso, informe-se, pesquise o mercado, busque ajuda experiente e especializada, elabore um plano de negócios consistente e corra atrás dos seus sonhos.

Por Regina Paes* 

Você que pretende abrir um negócio, manter ou expandir um existente, tenha em mente que a informação é a bússola do seu empreendimento.  Uma ideia na cabeça combinada ao seu espírito empreendedor é um ponto de partida poderoso, só que o negócio pode naufragar se não for bem conduzido ao longo da rota.  A visão da oportunidade é o impulso para a busca de informações sobre o ambiente de negócios, o público-alvo e as tendências de mercado.  Isso só para dizer o mínimo sobre o conhecimento necessário para navegar com mais segurança, aumentando as chances do seu empreendimento ser bem sucedido.
As micro e pequenas empresas (MPEs) desempenham um papel de destaque na movimentação da economia no Brasil, empregam cerca de 60% da população economicamente ativa. São responsáveis, no acumulado de 2011, por 76% dos novos empregos formais.  Representam 99% do total das empresas do País.  Em 2009 eram 5,9 milhões, a cada ano 200 mil novos micro e pequenos empreendimentos ingressam na economia.  Em contraste, estima-se que o faturamento das MPEs representa apenas 20% do PIB nacional.  Estudo recente do SEBRAE, revela que a taxa de sobrevida das MPEs está melhorando, no entanto a taxa de mortalidade ainda é alta, 27% são extintas com até 2 anos de atividade.  Em países desenvolvidos, como Alemanha e Inglaterra, essa taxa gira em torno de 10% a 15%.
Alguns fatores influenciam a baixa produtividade, podendo levar ao insucesso do negócio:
  • Falta de planejamento prévio adequado por parte do empresário, como análise de mercado, ambiente de negócios, tendências e conhecimento do público-alvo;
  • Deficiências dos empreendedores em processos de gestão empresarial;
  • Ausência de comportamento empreendedor e liderança aliado ao impacto de problemas pessoais sobre os negócios;
  • Baixa conscientização sobre inovação na construção de valor, o que leva à limitada aplicação de inovação e tecnologia na formulação de produtos e serviços e nos processos de gestão e logística;
  • Juros elevados e carga tributária: custo financeiro e tributos limitam a disponibilidade de recursos para o empreendedor investir na atualização e expansão do negócio.  Mesmo diante de algumas políticas públicas de apoio, como o Simples Nacional e o microcrédito.
Familiarizado com o contexto, o Empreendedor deve refletir sobre suas competências para abrir e gerir um negócio.  A ousadia está na essência do Empreendedor, no entanto ele deve prever o eventual risco que ele próprio poderá representar.  Além da intuição e dos conhecimentos e habilidades preexistentes, o Empreendedor iniciante deve buscar capacitação em gestão empresarial.  O que não quer dizer que precisa saber tudo, mas ser capaz de identificar problemas e buscar apoio sempre que precisar.  O Empreendedor não precisa ser um herói solitário.
A gestão empresarial qualificada e responsável aliada à elaboração de um Plano de Negócios realista, acionável e não estático, são elementos importantes para a sustentabilidade do empreendimento.
O Plano de Negócios é a materialização da ideia empreendedora, elaborado com o envolvimento direto do Empreendedor e, se necessário, com a ajuda de especialistas.  Cerca de 50% dos pequenos empreendedores não procuram algum tipo de consultoria antes de abrir um negócio. Em muitos casos descobrem tardiamente que o quebra-galho comprometeu os resultados da empresa.
Objetivo e conciso, porém completo, o Plano deverá reunir informações disponíveis, em fontes secundárias, somadas às primeiras impressões, em sondagens informais, sobre a expectativa de demanda, potenciais clientes, concorrentes e fornecedores.  Um mapeamento inicial ajuda o Empreendedor a amadurecer a ideia, a dimensionar o negócio e comparar com suas expectativas.
Evoluindo no Plano, percebe-se a importância de conhecer melhor o público-alvo, seu perfil, aspirações e percepções sobre os potenciais concorrentes, identificando eventuais brechas não atendidas.  É a hora e a vez de uma pesquisa de mercado.  Planejada, conduzida e analisada por consultoria especializada faz muita diferença.  É um investimento, nem sempre caro como se imagina, que reduz o risco do negócio e a perda financeira do Empreendedor.  As MPEs não têm fôlego financeiro para sustentar um possível erro de avaliação de oportunidade real de sucesso de um negócio, o que aumenta a importância de uma avaliação inicial bem feita.
Combinadas à intuição do Empreendedor, informações coletadas com qualidade e não tendenciosas são a bússola norteadora dos negócios, em fase de start-up, sustentação ou expansão.  Auxiliam a analisar a viabilidade, aprimorar produtos e serviços e detectar novas tendências de mercado para o crescimento sustentável do negócio.
Empreendedor, ouse, vá em busca dos seus sonhos, mas navegue com direção e a mente alerta para mudar a rota quando for preciso.

*Regina Paes é Sócia-diretora da Visão Pesquisa & Gestão da Informação e Especialista do Boteco do Conhecimento. 


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CRIAÇÃO DE PRODUTOS – KIBON UMA HISTÓRIA DELICIOSA

por Artur Reis



Introdução

Falar de sorvetes é fácil, pois existe quase uma unanimidade em relação a essa categoria de produtos. Contar um pouco da história da Kibon é algo muito gratificante, especialmente para alguém como eu, que teve a sorte de trabalhar numa empresa que só deixou doces lembranças. Como Gerente do Departamento de Marketing da Kibon-Sorvane, atuando nas regiões Norte e Nordeste, tive a oportunidade de coordenar o lançamento de diversos tipos de picolés, sorvetes em potes, sobremesas geladas e dezenas de outros deliciosos alimentos congelados. Na época a fábrica Sorvane, localizada em Recife, pertencia a Philip Morris em sociedade com o Grupo pernambucano Tavares de Melo, sendo posteriormente adquirida pela Unilever como é descrito a seguir.

Como tudo começou
Uma das melhores matérias resumindo a História da Kibon foi publicada pela Food Ingredients Brasil, nº 15 em 2010, reproduzida abaixo.

O SORVETE DO BRASIL ALIMENTANDO PAIXÕES 



Neve no porão
A história do sorvete começou com uma rixa na China, há cerca de três mil anos. Cozinheiros do palácio real disputavam para ver quem inventaria a receita mais saborosa e original. Ganhou uma mistura de neve das montanhas, suco de frutas e mel, servida ainda gelada. Quando a receita chegou à Itália, pelas mãos de Marco Pólo, no século XIII, ganhou novos ingredientes, como o leite, e tornou-se famosa entre os nobres. O gelato italiano só seria um produto mais acessível na França do século XVI, quando os cafés da “Cidade Luz” passaram a servi-lo fora do ambiente requintado dos castelos. Após uma escala na Inglaterra, o sorvete chegou aos Estados Unidos, onde, a partir de 1870, com as novas técnicas de refrigeração, se tornou um produto industrial e definitivamente popular.
Os americanos criaram receitas como o ice cream soda e o sundae e até hoje disputam a autoria da primeira casquinha com os italianos, que têm garantida a invenção do picolé, no começo do século XX. Antes de chegar ao palito, no entanto, o sorvete chegou ao Brasil. Em 1834, ele já era servido em “diferentes qualidades, tanto simples quanto amanteigados”, segundo cardápio de uma dupla de confeiteiros do Rio de Janeiro, e feito com gelo importado dos Estados Unidos. No caminho inverso daquele percorrido na Europa, a novidade iria das ruas ao palácio, onde Dom Pedro II se deliciava com o sabor pitanga nos últimos anos da monarquia no Brasil.

Um Sorvex, por favor
Durante décadas, a produção de sorvete no Brasil permaneceu artesanal. Até a ameaça de guerra entre China e Japão afugentar a U.S. Harkson de Xangai para o Rio de Janeiro, em 1941. Subsidiária de uma companhia norte-americana, a empresa começou produzindo ovos desidratados. Para compensar os períodos em que a fábrica ficava ociosa, justamente no verão, a Harkson adotou a milenar receita chinesa. Os sorvetes lhe deram prosperidade, em recordes como três milhões de picolés vendidos em um fim de semana.
Na nova sede, a empresa planejava repetir o feito. Em 1942, começavam a circular no Rio de Janeiro os primeiros carrinhos amarelos e azuis. Às cores, herança dos tempos em Xangai, acrescentou-se o nome: Sorvex Kibon. Os dois primeiros lançamentos se converteriam em clássicos: o sorvete Eskibon e seu colega de palito, Chicabon. Antes que a década acabasse, Kibon já era um sucesso.

Fermento na receita
Durante os anos 40, a família cresceu. Surgiram os primeiros tijolos de sorvete, em sabores clássicos, como morango e chocolate, e outros genuinamente brasileiros, como coco e castanha de caju. As campanhas publicitárias incluíam extravagâncias, como aviões sobrevoando as praias cariocas e lançando picolés de pára-quedas. Em 1949, o consumo em São Paulo exigiu que a Kibon passasse a produzir também na cidade. No ano seguinte, as duas fábricas precisaram se expandir para dar conta da demanda.
Até o fim da década de 50, mais novidades aparecem: sorvete em copinho e em lata, sundae, picolés de frutas tropicais e bolo gelado. Kibon passava até na TV, recém instalada no País. Em um dos primeiros casos de merchandising da televisão nacional, a marca patrocinou episódios do Sítio do Pica-pau Amarelo, em 1953. Dois anos depois, estreou programa próprio, a Grande Ginkana Kibon, que revelava talentos mirins da dança e da música.
Em pouco tempo, a atração se converteu em líder de audiência da TV Record, permanecendo nove anos no ar.

Caminhando contra o vento
No começo da década de 60, a Kibon já estava no Brasil de Norte a Sul. Apesar do sorvete famoso, a marca ainda produzia  ovos desidratados e congelados para a indústria de alimentos, além de balas, chocolates, cereais e sucos em pó. Tudo para depender menos da sazonalidade dos gelados, consumidos mais no verão. Mudar os hábitos de consumo dos brasileiros seria uma longa e constante batalha, que a Kibon começaria a vencer na década seguinte.
Desde a estréia da marca no Brasil, suas campanhas mostravam o sorvete como um alimento nutritivo, que poderia ser a sobremesa da família, e não apenas uma guloseima infantil comprada por impulso na praia. No entanto, em 1970, o índice de consumo de sorvetes no Brasil ainda era um dos menores do mundo: menos de 1 litro per capita ao ano. Por isso, em 1975, investir na linha doméstica tornou-se palavra de ordem. O aumento de poder aquisitivo da classe média em plena euforia do “milagre econômico” ajudaria a marca a conquistar seus objetivos. Um ano depois os índices de consumo já eram mais uniformes, de janeiro a janeiro, e Kibon detinha 60% do mercado nacional de sorvetes.

Do congelador para a despensa
Primeiro foram as latas, na década de 50. Foi a solução da Kibon para levar o sorvete para dentro de casa.  As embalagens logo se tornaram queridinhas das rainhas do lar. Acabada a sobremesa, elas iam para a despensa guardar mantimentos.  Em 1977, uma falha no fornecimento de folhas-de-flandres, matéria-prima das latas, fez a Kibon adotar o plástico, material que se tornara mais acessível. A mudança impulsionou as vendas naquele ano, com o sucesso da nova embalagem entre as donas-de-casa. As latas voltariam em 1982, para conviver em harmonia com os potes plásticos, em uma coleção decorada com motivos
art-nouveau. O sucesso foi tão grande que a Kibon lançou diversas coleções nos anos seguintes. Para não ficar para trás, as embalagens de plástico ganharam um diferencial em 1983, com o lançamento dos coloridos multipotes.

Mudar para crescer
No começo dos anos 80, as vendas por impulso, como de picolés oferecidos na praia, ainda representavam 70% das operações da Kibon. Crescer para dentro das casas dependia da mudança de hábitos dos consumidores, mas também de haver condições para a expansão. A década prometia mais do que as anteriores, graças à popularização de um eletrodoméstico básico: a geladeira. Em 1960, apenas 11% dos lares brasileiros tinham refrigerador. Vinte anos depois, 55% das casas estavam equipadas, ou seja, a maioria das famílias já podia armazenar o sorvete comprado no supermercado. Novas tecnologias também ajudavam a ampliar a linha de produção. Durante os anos 80, a instalação de máquinas mais modernas permitiu novas texturas e coberturas elaboradas, inéditas no mercado. Nessa conjunção, foi arquitetada uma explosão de lançamentos.
A linha de produtos para levar para casa ganhou filhotes, como caldas e coberturas, e a turma do picolé viu o surgimento de novos clássicos, como Brigadeiro, Tablito e Frutilly. Em 1985, dez anos depois de começar a investir nos produtos para a família, a linha doméstica crescia 15% ao ano. Em 1989, as embalagens para casa representavam 48% das vendas: sinal de que o brasileiro havia mudado seus hábitos de consumo. O crescimento também foi impulsionado por um novo alinhamento estratégico da empresa. Em 1982, a Kibon associou-se à Q-Refresco e repassou para ela sua linha seca, que incluía chocolates, sucos e balas. O objetivo era dedicar-se apenas aos sorvetes e colocar a competição em outro nível. Como era preciso encarar novos desafios para crescer, a partir de 1987, a Kibon passou a medir seu desempenho dentro do segmento de sobremesas, no qual competia com bolos, pudins e   frutas. Desde sua chegada ao Brasil, a Kibon detinha pelo menos 60% do mercado de sorvetes, mas nesse segmento mais amplo obtinha apenas 4% do consumo, era espaço de sobra para crescer.

Sorvetes sofisticados, marca popular
A década de 90 chegou com investimentos em tecnologia e em produtos mais sofisticados, voltados para o consumidor adulto. A primeira iniciativa, ainda em 1990, foi o lançamento dos potes Mövenpick, marca suíça de sorvetes finos, em sabores como nozes e framboesa. No mesmo ano, a Kibon se anteciparia à preocupação com o peso com o Diet Form, linha de baixas calorias que substituiu Bon-Regime. No fim da década, viriam Magnum e Cornetto. O sorvete tornava-se também questão de estilo de vida, um conceito tão valorizado pelo consumidor moderno quanto sabor e qualidade.

Cornetto e Magnum, o retorno
Em 1997, a Kibon foi comprada pela Unilever (na época Gessy Lever), na maior operação realizada pela empresa fora dos Estados Unidos nos últimos 60 anos. Sorvetes não era uma novidade para a proprietária. Em 1929, o fundador, William Hesketh Lever, comprara na Inglaterra sua primeira fábrica de gelados. Outras viriam, inclusive no Brasil, com a aquisição da Gelato, em 1973. A mudança agregou dois sucessos para a Kibon: Cornetto, invenção da tradicional marca italiana de sorvetes Spica, e Magnum, marca mundial da Unilever. Mas a dupla já era conhecida do público brasileiro quando foi relançada pela Kibon, entre 1998 e 1999. Cornetto havia estreado no País com a Gelato, em 1971. Já Magnum, lançado em 1993, ficou um ano no mercado, o suficiente para deixar muitas saudades. De volta pelas mãos da Kibon, as marcas cresceram, ganharam novas versões, edições especiais e campanhas publicitárias ousadas. Ao mesmo tempo em que se lançava em um mercado mais amplo, Kibon recebia o reconhecimento por décadas de relação com o público, por sorvetes inesquecíveis e por ações como o patrocínio à Fórmula 1 e à natação, que colocaram a marca no freezer e no coração dos brasileiros. Em 1991, o jornal Folha de S.Paulo instituiu o prêmio Top of Mind, que passou a identificar anualmente as marcas mais lembradas pelos consumidores, e Kibon foi líder absoluta na categoria sorvetes. Além de manter a medalha de ouro em todas as edições seguintes, Kibon consagrou-se como a maior e mais querida marca de sorvetes do Brasil.
A marca do coração Em 2001, a Kibon comemorou 60 anos de Brasil, mantendo sua liderança  no mercado de sorvetes. O ano anterior fora fechado com índices recordes: 520 milhões de litros de sorvete vendidos e um consumo per capita de 3,2 litros. A marca atingiu a maturidade falando com todos os públicos, do garoto fã de desenhos animados às mulheres mais sofisticadas.
O consumidor dos anos 2000 é diferente daquele visto em toda a história da marca: tem pouco tempo e muitas opções; é mais exigente e quer prazer, características da busca por equilíbrio, qualidade de vida e exclusividade típicas do novo milênio.
Kibon responde com dezenas de novas criações a cada temporada. O conceito de sofisticação ganha força com lançamentos especiais de Cornetto, Magnum e das linhas Dellice e Carte d’Or. Edições únicas, como o sorvete de panetone para o Natal, fazem a festa em família. As crianças se divertem com delícias assinadas por personagens infantis de sucesso.
Jovens reúnem-se nas sorveterias Kibon Soft Ice e ao redor das máquinas expressas para preparar Cornettos. Nos anos 2000, o logotipo inaugurado em 1999, um coração, continua a celebrar essa longa relação afetiva.

 
Fonte: Revista FOOD INGREDIENTS BRASIL Nº 15 - 2010
Para ler a matéria na íntegra acesse o link:  http://www.revista-fi.com/materias/159.pdf

Mudança no logotipo da Kibon

A marca Kibon passou por diversas mudanças através dos anos. Ao adquirir a Kibon em 1997, a Unilever também promoveu uma mudança radical no seu logotipo, substituindo a letra "K" estilizada pelo “coração”, como forma de globalizar a marca. Isso pode ser explicado pelo fato da Unilever atuar com marcas diferentes de sorvetes e picolés em cada país onde atua. O uso de um símbolo comum (o coração) representando o seu logotipo foi uma forma escolhida para criar uma imagem única e global que pudesse ser rapidamente reconhecida pelos consumidores e pelo público em geral.







 Embalagens antigas e a evolução do Chicabon


Os slogans da Kibon através do Tempo – Do Blog Mundo das Marcas

Celebre Mais a Vida com Kibon. (2010)
Isso sim é diversão. (2008)
De coração é mais gostoso. (2001)
É gostoso e faz bem.
(1987)
Kibon uma das boas coisas da vida.
Kibon sempre o melhor sorvete.
(anos 70)




História da Kibon contada em vídeo



Campanhas publicitárias da Kibon

Seguem abaixo algumas das campanhas publicitárias da Kibon veiculadas em mídia de massa:


Comercial antigo Fusca - 1965

Comercial antigo - Aqualoucos

 Comercial antigo - crianças

Comercial Kibonbon Brigadeiro - anos 80

Comercial antigo - Brigadeiro e Pé de Moleque 


 Fruttare  Ki-Polpa - 1998


 Fruttare - 2007


Comercial cone Cornetto da Gelato - 1985

Novos potes de sorvete da Kibon

Sorvete Diet Form com Paula Toller (antigo)

Magnum - O maior prazer do mundo



Maiores informações sobre a atual linha de produtos da Kibon - vide website:



KIBON-SORVANE


Para completar a história da Kibon é preciso também descrever um pouco da história da Sorvane no mercado do Norte e Nordeste.

O grupo Tavares de Melo fundou em 1953 as Indústrias Alimentícias Maguary, que atuava no segmento de sucos de frutas e outros alimentos. Por ser fornecedor de polpa de frutas para a Kibon, em 1970, a Maguary decidou diversificar a sua linha de produtos passando também a fabricar sorvetes. Em 1971 a Kibon abriu uma fábrica em Recife o que acirrou a disputa no mercado de sorvetes. Os sorvetes Maguary logo ganharam aceitação e reconhecimento do mercado regional e posteriormente, nacional. Em 1976 a Kibon e a Maguary realizaram uma joint venture (50% de participação para cada uma), criando a empresa Sorvane - Sorvetes e Produtos Alimentícios do Nordeste. Era uma questão de ganhos de escala e eficiência. A Sorvane passou a atuar no mercado Norte e Nordeste com a marca Maguary Kibon, já que a marca Maguary era muito forte no mercado regional. Em 1984, com a venda da Maguary para a Souza Cruz (fabricante de cigarros), a Sorvane não poderia mais usar a marca Maguary no mercado de sorvetes, passando então a atuar no mercado com a marca Kibon Sorvane.

A parceria com o grupo da Philip Morris (que havia adquirido a Kibon) durou até 1997, quando a Unilever adquiriu a Kibon no Brasil. Porém o Grupo Tavares só vendeu os seus 50% de participação na Sorvane em 2000, quando a marca Sorvane foi definitivamente retirada do mercado. A marca Kibon foi então unificada em todo o Brasil. Atualmente,  a marca Sorvane permanece no mercado apenas como “marca combate” na linha de sorvetes em potes revendida em supermercados.

Para concluir é importante ressaltar que a Sorvane sempre teve uma atuação estratégica alinhada a Philip Morris, porém gozando de bastante independência para lançar e gerir produtos e campanhas regionais que fizeram muito sucesso em sua época. Alguns produtos lançados pela Sorvane:
  • Cones Topless e Dansk
  • Picolés Capricho, Canarinho, Leite Condensado, Chocoleiser
  • Copo São João (milho verde)
  • Fruttare sabores de Acerola, Cajá, Mangaba, Cupuaçú
  • Marca combate de sorvete em pote – Venice (atualmente substituída pela marca Sorvane)
  • Linha de Sobremesas Geladas
  • Sorvete Rocambole
  • Redes de Sorveteria Beijo Frio e Ice Cream Kibon Sorvane

A capacidade de pensar globalmente e atuar regionalmente garantiu a Sorvane uma liderança incontestável no mercado Norte e Nordeste, além de um relacionamento exitoso com os pontos de vendas e distribuidores da região.